Saiu a CAMTER, entrou a Andrade Gutierrez
Alargamento da Estrada dos Bandeirantes uma tragédia anunciada – O “mico” da história.
Na verdade essa tragédia para mim começou a ser desenhada no dia da solenidade do início das obras no Largo de Vagem Grande, com a presença da CAMTER e alguém perguntou: vocês vão dar conta dessa obra? Nós temos experiência lá em Belo Horizonte, mas não me convenceram, afinal fazer uma obra de 16 km, que é o trecho da Bandeirantes, com terreno difícil não é para qualquer empresa e acompanhamos a obra do início até ao vexame final.
Dito e feito os problemas começaram no primeiro dia da obra e em quase um ano e meio, e quando obra já deveria estar praticamente pronta (a promessa era terminar 31 de maio) foram embora e deixaram essa bomba que não vai explodir. Já explodiu.
Mas o que deu errado? Quem era a CAMTER?
Pra começar não é apenas a minha opinião, e de muitas pessoas que entendem. Se não conheciam onde estavam pisando porque a primeira atitude foi quebrar a estrada toda e ao mesmo tempo, nos impediram de andar num percurso de 16 km entre a Grota Funda e o Rio Centro onde fomos vítimas de “engarrafamentos” criminosos debaixo de sol escaldante. "Esburacaram" tudo ao mesmo tempo para que? Nunca conseguiram controlar o trânsito.
Por que então não dividiram em duas etapas? Uma do Rio Centro a Benvindo de Novais e depois de concluída, Benvindo, Largo de Vargem Grande, e se deixaria a parte que tem menos movimento que é do Largo de Vargem Grande a Grota Funda, por último mas sem destruir as pistas pois precisamos delas – que maldade.
Colocaram 2 quilômetros de asfalto em um ano e meio, e destruíram 16 km de asfalto antigo mas que funcionava.
Por conhecer a fundo a região e a estrada dos Bandeirantes como a palma da minha mão, cansei de fazer visitas, perguntar e mesmo informar... cuidado.
Não existia fiscalização, os operários diziam que não tinham plantas de nada, que não sabiam o que corria debaixo da Bandeirantes e por isso faziam tantos buracos depois fechavam e em seguida abriam.
Ficaram um ano no trecho de 600 metros entre a Comunidade Cesar Maia e um ano no trecho central de Vargem Grande e a obra estava planejada para dois anos.
Na verdade se perderam, eu os via desesperados, era muita gente no início uns dando cabeçadas nos outros e um ano e meio depois, o que restou pronto precisando ainda de muitos acertos, foram os dois trechos acima.
Já na metade de janeiro a obra começou a ser abandonada com centenas de empregados demitidos, mas tinham deixado uma máquina para acertar a pista e um caminhão para molhar para abaixar a poeira, o que parou de acontecer no início de fevereiro, pois o caminhão pipa despareceu. Existiam 8 novas pontes nesse trecho onde foram parar?
Agora estamos sem estrada, restou poeira, buracos, doenças respiratórias, carros quebrados, pistas que viraram armadilhas, dificuldade de ir e vir, além dos prejuízos gigantescos do comércio. Que verão! 40° graus e muita poeira!
Dizem que o alargamento da Bandeirante demorou 20 anos para acontecer, mas muita gente diz que era melhor a Bandeirantes como estava, mais segura, sem poeira, sem engarrafamentos. O “mico” foi muito grande.
Agora é substituir a CAMTER, colocar uma empresa de peso e que se termine essa obra que foi mal concebida e acabou causando tantos transtornos e prejuízos financeiros. Quem vai pagar os prejuízos?
E olha que essa estrada dos Bandeirantes que destruíram, é a mesma que foi feita em 1732, com tantas dificuldades por Frei Gaspar, Madre de Deus e outros. Este artigo era para ter saído no jornal passado e não saiu por falta de espaço e por não termos noticias sobre quem entraria no lugar da CAMTER.
Agora sabemos que é a Andrade Gutierrz que está assumindo a obra, e é a mesma empresa que está fazendo a Transcarioca ligando o Galeão ao Terminal Alvorada.Existe uma expectativa de que a Estrada dos Bandeirantes seja concluída em seis meses.
Texto Delfim Aguiar.







